DESIGN com responsabilidade

Hoje vi uma coisa que mexeu muito comigo. Dia 25 de março fui assaltada e fiquei ainda mais desacreditada do conserto das coisas, aí me deparo com um projeto especial hoje:

Uma marca de roupa (me formei em moda e gosto quando o design é feito com a cabeça e com o coração – roupa não é um produto de vaidade, falso glamour e tendências agressivas apenas, a roupa também é uma maneira de contar histórias, narrar conceitos e tocar no lado emocional de cada um). Graças a Deus existem belos pensadores que fazem isso.

Estive no Minas Trend essa semana e hoje conheci a “Doisélles” – uma marca que começou com o desejo da estilista de dar pontos e nós:

“Gosto disso de pontos e nós. Formas que surgem do desenho de um fio em um par de agulhas, bem ali na minha mão. O tricô é a minha composição no mundo, é o meu mundo, por onde transito meus pensamentos e ideias. Tudo que vejo, sinto, escuto e leio vira tricô.” [fala da estilista da marca]

A falta de mão de obra que pudesse colaborar na construção das peças de sua marca e, consequentemente, alavancar o seu negócio, gerou na estilista uma grande ideia: treinar presidiários para confeccionar o tricô.

Hoje eles não apenas confeccionam, eles criam, pensam, desenvolvem – de fato, aprenderam um ofício. Vi na feira hoje 2 presidiários do projeto e conversamos com um deles e ele disse “crime para mim nunca mais”, “eu crio pensando em uma dessas mulheres bonitas da televisão, como ainda não posso vê-las ao vivo porque estou na prisão, imagino em cada peça uma delas – eu quero criar é para essas mulheres bonitas” – ouvi outras coisas interessantes dele, Sandro se não me engano era o seu nome.

Mas o mais bonito foi olhar pra ele e não ver crime, ver luz, ver felicidade pelo reconhecimento do trabalho dele, ver esperança no olhar de um mundo diferente no além da prisão. “crime nunca mais”

Projeto que ensina a CRIAR e não a REPETIR. Projeto que ensina aos presos que eles são pessoas e portanto podem pensar e que, apesar de serem homens e aparentemente brutos, carregam a leveza e delicadeza na mão, tramando deliciosos e hiper sofisticados tricôs.

Me encantei! O site da marca: Doisélles

Anna Luiza Magalhães

 

desconversa

 

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Uma vez, um velho amigo, desses que a gente diz bem sábio, contou-me um conto sobre os loucos. Disse a mim como eles se encontram, como se reconhecem em meio a uma multidão de normalidades. Encontrar um par de loucos pode ser uma tarefa árdua, difícil. Mas, ainda mais mortalizante, é desencontrar.

Canto dourado à cidade das maravilhas

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Amada cidade, dos morros de histórias e corações perdidos. Tuas casinhas de janelas e portas de brincar – de rosas, azuis, verdes, laranjas e amarelos. Tuas inúmeras torres, que salteiam nessa paisagem escadeada, mostram tua fé. Tento me convencer de que não há como amar-te mais, mas então, vejo-me perdida nos teus montes, nas tuas casinhas e igrejas, naquele sol dourado de inverninho bom e meu coração palpita.

Cabelos embaraçados por tanto vento junto com aqueles sorrisos ansiosos contam como o teu dia sempre brilha, contam como é fácil perder-se de paixão nas pedrinhas, em suas ladeiras infindas. Sempre foi tanta essa alegria que a gente até desembestava, ria como criança sem acreditar que podia ser tão bom.

Aconchego é esse de braços amigos e ensolarados, num cenário tão bem desejado, donde o entusiasmo é uma folha de ouro que acoberta nossas talhas barrocas do riso e também donde olhinhos brilham e rolam de cada causo bobo contado na função da felicidade: um lugar em que tudo quanto é detalhe é peça principal para o caminho de quem passa.

Teu esplendor inquieta meus olhos, que ficam em constante busca, na curiosidade eterna, por cada adorno que envolve tua aura. Tuas cores, teu artesanato participam do cenário, florido, colorido: dourados, azuis, vermelhos, verdes… Tua serra que aconchega: cada pedaço teu é meu, no limiar entre minha lógica e paixão.

Tuas suaves e tenras flores desbotam-se e envolutam, envolvendo em seu mundo encantado das artes da terra. Alumiam-nas pretas e brancas, minhas luzes dos dias da vida, vivendo mais um Ouro Preto amado.

Ah! Essa terra das maravilhas faz cintilar, palpitar, alumiar, acreditar… O amor está tão perto!

Tua imagem é refletida por onde meu pé caminha, levas sempre contigo meu olho. Em meio tanto do que é belo, me perco em deslumbres. É porque dentro de ti guardas um segredo ainda mais bonito, e passarei a vida inteira a tentar desvenda-lo se for preciso.

Ah! Ah! Pois és, és tão dourada, que já me confundo na cor de dentro e de fora. Tão leve e feita com tanto esmero, tens a sensibilidade da veia que corre em ti, das histórias que ficaram no passado, da dor, dos desejos, dos sonhos que começaram a se construir há pedras e luzes de distância… Guardas em teu baú do quinto cada almejo de quem te encontra.

Perco-me todos os minutos a fundir meu corpo no teu lugar. Camuflo-me, dourada e cor de antiga, e me sinto parte de ti. As coisas que existiram outrora, que me fazem perder no tempo e sonhar com memórias que aconchegam.

Debruço-me a tua janela, cantando o canto, bordando o ponto, a dar conta do encanto que tua forma colonial emoldura a mim. Já me encontro entre tanta textura, luz e nostalgia.

A todo instante umas dessas mil portas me convidam, como quem me diz “vem ficar”. Na simplicidade de tuas formas, tuas madeiras de séculos, tuas camadas sem fim de mãos de tinta, não sei escolher qual quero entrar, sei que quero: um muito tanto que me inquieta. Tantas únicas, tantas amadas, tantas maçanetas que contam mãos lindas de corações sonhadores que passaram por ali.

Rosada, floreada, perdida no meio da rua de amor. Na porta do quem sabe o que: e, afinal, qual destas há de nascer aquele alferes encantado em sua juventude, cheio de querer?

Não é preciso ir muito longe para encontrar o amor.

E no caminho, em meus tropeços, caio e descubro mais flores a sorrir para mim. E ó! O sol se indo, lindo, findo, dourado e eternizado. Seduzidos estamos e não queremos nunca mais desapaixonar.

Se abrir bem os olhos, o amor está mesmo em toda parte.

E pra sempre te desejo: quero andar no teu corpo feito passarinho, sorrateira e leve e cantar em tuas esquinas. Que este canto seja tão suave que o primeiro vento que passar me assopre e leve de volta para o ar, para te ver novamente por completo.

Bordo-me em ti, para teres a certeza de que minha passagem não será uma mera casualidade, fico em estampa para saberes que não saio em memória jamais.

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Fotos e texto: Anna Luiza Magalhães – Ouro Preto – MG. Setembro de 2012.

é com esse que eu vou…

“É com esse que eu vou sambar até cair no chão
É com esse que eu vou desabafar na multidão
Se ninguém se animar eu vou quebrar meu tamborim
Mas se a turma gostar vai ser pra mim…”

nova coleção

 

Aquelas meias gostosinhas, lindas, coloridas, criativas estão sambando pra me deixar com vontade. Estão sapateando e dizendo como a vida é boa… bota um vinil daquela voz boa e antiga que ficou pra gente só em som e sacoleja mostrando sua beleza.

Para querer leveza nada melhor que monte de mini asinhas juntas, estampadas no azul, azul da cor do mar, do ar, do lar, do imaginar… vontade de rimar, …

Tenho saudade de doce ou “do” doce, porque ele é específico. Aquele cupcake aquareladinho, escorregando açúcar no pigmento cor de rosa, azul turquesa, amarelinho… com sabor de chá e de amor. Delícia!

Não contém glúten tem gosto de chocolate, de samba, de brincadeira, de risada, de caixinhos, de cereja, de alegria, de flor, de vontade, de desejo, de coisa boa, de antiguinho, de moderninho, de cafezinho, de amor….

Coisa mais querida! Eu adoro a criatividade dessas meninas! =)

boas impressões, com açúcar, com afeto!

aplicações e texturas encantando um imaginário

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E então, aos poucos o blog vai retomando as suas atividades. Gosto de acompanhar sempre as marcas mineiras: lógico que muito por um “amor a minha terra de Minas”, mas também porque sei o potencial da moda daqui. Com esses onze meses fora, do lado de lá do oceano, fiquei um bocado desatualizada sobre o que acontecia por aqui, um pouco até de propósito, para me deixar mergulhar no universo novo que me consumia. (De tempos em tempos vou postando o que meu olho viu e encantou pelos além mares).

Semana passada, dia 14 de agosto, tive no lançamento da marca Alphorria, das duas linhas da marca: Alphorria e A.Cult. A primeira vista as peças da marca são sempre muito suntuosas, chamativas e bem trabalhadas. As minhas primeiras impressões foram: texturas, muitas texturas e um contraste entre peso e leveza. E é isso mesmo, meu olho correu fotografando algumas formas e cores para ilustrar essa minha impressão. Quem já conhece meu blog a mais tempo sabe que não descrevo aqui a parte de tendências, sobre o que se vai ou não usar na tal estação. Para isto existem mil blogs mais especializados nessa área. Venho aqui dividir as “miudezas” preciosas que encontro na moda que, para mim sim, são essas que fazem o universo da moda ser cada vez mais interessante.

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A Alphorria Cult trabalhou sua pesquisa em cima de um contraste entre o moderno tecnológico e o orgânico: buscou as geometrias do nosso espaço contemporâneo e a fluidez e cores das flores.

A organicidade das plantas permitem-nos um respirar melhor para o mundo, a leveza das formas me carregam para um outro espaço que já nem sei escrever, fica quase que só em pensamento. Como se fosse um verde enorme, rodeado de minúsculas mil corezinhas, com um vento a bater lá do outro lado do horizonte, me carregando para memórias de um dia de descanso, bem vivido. Dá vontade de correr pra sentir melhor tudo que essa natureza oferece. Flores, aí de mim sem elas.

DSC06015 editPor outro lado as estampas super geométricas nos trazem de volta para o nosso mundo real, que não é nem pior ou melhor, é onde conquistamos tudo, onde encontramos nossas ambições e inspirações para viver o dia-a-dia. Volto para o meu momento elétrico onde estou ligada o tempo todo nas pessoas, nos trabalhos, no mundo. E essa parte da vida é boa, é a tecnologia que não deixa nossos corações sentirem a mesma saudade de antes, que nos conecta a todo canto e a toda vontade nossa.

Acho uma delícia ir lendo a coleção assim, a moda pra mim tem que contar história, senão, perde toda a sua graça. DSC05957 edit

 

Suavizando o caminho, os degrades vêm aparecendo assim como um sol que nasce ou deixa o dia ao entardecer. Em tons alaranjados, jeans foram tingidos passeando pelas diversas tonalidades daquela cor. Que gostinho de alegria, cores nos nossos dias.

 

 

Deixo vocês imaginando um pouco também do resto que tinha por lá…

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Quando penso na Grécia antiga me vem a cabeça grandes deuses, colunas, branco, muito branco, algumas volutas que, apesar de orgânicas, são bem geometrizadas, e por aí vai. A coleção Alphorria mergulhou no imaginário do mundo grego, buscando novas interpretações daquelas formas. Trabalhou muito essa representação das formas em bordados, transparências e pesos com tule e couro.

O bordado branco sobre o branco é lindo, suave, delicado, aparece pela sombra leve e reflexo da luz em cima do tecido e, ao mesmo tempo, enriquecem os olhos, transformando a peça num tesouro, que as vezes a gente até acredita que carrega toda a história do lugar que eles contam. Vira um livro de lindos causos. Gostoso até de vestir.

Paetês, rendas, guipir, lindas telinhas que sobrepõem tecidos, preenchendo as peças com diversas possibilidades do mesmo material, aparecem o tempo todo aos nossos olhos.

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Só um comentário técnico: gostei desse paetê branco da foto acima desse texto (das 4 fotos acima é a da esquerda debaixo): é uma aplicação de foil dourado sobre o paetê, se não me engano. Uma ideia simples de produzir e que enriquece a peça demais, sobreposição de texturas.

Embaixo, uns lindos queridos acessórios que achei por lá:

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Deixo vocês com curiosidade para ver o resto! Têm muito mais aplicações, bordados e estampas na coleção. Além de tudo, deixei apenas “retalhos” das peças aqui, porque detalhes são bons de serem vistos ampliados. As peças por inteiro deixo pro olho de cada um degustar, elas foram trabalhadas em cima de lindos recortes e modelagens, ainda dentro da dicotomia do minimal geométrico e das formas fluídas orgânicas. Bem lindos!

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Fica aqui um gostinho do que vi para vocês. Boas Impressões!

 

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Todas as fotografias deste post são de autoria da criadora do blog.

London and my eyes shining **

 

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London, London

Caetano Veloso

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round, nowhere to go

While my eyes go looking for flying saucers in the sky
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it’s so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

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While my eyes go looking for flying saucers in the sky
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it’s ok

Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

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outonando

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ilustração feita pelo meu querido amigo Mateus Lima (Diadorim). Obrigada querido!

Destonando-se as cores. Meus verdes foram deixando os marrons tomarem espaço no meu caminhar, e eu que não sabia ainda o que era outono. O frio congela mais amores e pensamentos que meu inverno de costume, camadas de calor não são suficientes para que não passe desapercebido, o que me faz continuar é tanto amor que ainda me aquece. Esse tanto que vem de dentro de mim, de saudade, de presença, de sobra, amor que vai e não quer deixar de vim, as cores vão deixando os sépias tomarem espaço, enquanto cinzas, marrons, alaranjados pulam aos meus olhos em um cenário quase sem cor, de um céu que chora frio em minha cabeça num quase desabafo eterno. Meu corpo chora junto carregando no ombro todo o seu dizer, o frio rodeia. Encolho os ombros, abaixo a cabeça, junto o corpo todo num gesto forte de encontrar calor, que tensionam todos os músculos. Depois daquele duro caminhar, eis que me levanto, num repente de suspiro, ergo a cabeça para aliviar as entranhas e dou um respirar que enfumaça no ar. E assim, como quando estou diante de uma lareira que acalenta com fogo, me vejo a olhar para aquela arvorezinha laranja, sozinha, única em sua beleza ainda colorida, reluzindo naquele dia sem cor. E então, permito-me um sorriso encantado.